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“Você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo, são crianças como você, o que você vai ser, quando você crescer”. Todos nós, filhos, temos a tendência natural de acreditar que os pais são nossos heróis, que sabem tudo e que podem tudo. Até certa idade, somos altamente influenciados por absolutamente tudo que eles fazem ou deixam de fazer. Achamos que são pessoas muito maiores e mais capazes que nós em todos os sentidos.

 

Na medida em que crescemos, entendemos (ou não) que são apenas humanos como nós, e que, muito provavelmente, eventual trauma que tenham nos causado estava longe de ser compreendido por eles.

Hoje, muitos pais, ainda, acreditam que para educar e colocar limites nos filhos necessitam ser duros e rígidos. Mostrar que estão bravos para assustar a criança e fazê-la parar imediatamente. Estão longe de ter consciência de que essa agressividade ao educar poderá se levar a um ciclo de traumas e comportamentos agressivos.

Será mesmo que para dar limites ao filho é necessário rispidez? Não dói menos quando recebemos um “não” carinhoso e gentil, ainda que esse “não” doa? Certamente um “não” com gentileza na infância ou na vida adulta será infinitamente menos sofrido.

Poderá haver quem diga que as crianças precisam de limites e rispidez porque a vida será dura, porque o mercado de trabalho e a concorrência não terão pena de ninguém. Hein? Mas quem faz a sociedade? As crianças de hoje não serão os adultos de amanhã? Se todos forem, de fato, educados com mais gentileza, certamente a convivência familiar e social será diferente. Aliás, não haverá sequer aquele “não” muitas vezes retribuído pelo filho, aos próprios pais.

Ensinar valores, explicar que a vida é feita de problemas e soluções, estar presente no seu crescimento e, também, na vida adulta é tudo o que de melhor se pode ter numa relação entre pai e filho. Da infância à velhice uma relação que se entrelaça e se eterniza, porque, afinal de contas, “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”.

 

Artigo também publicado no Jornal Zero Hora – Opinião, em 11/08/2017.