Imagine que você esteja vivendo sua vida, e qualquer pessoa da sua família ou qualquer amigo  consiga falar com você ao longo do dia, esteja você em casa, na rua ou no trabalho. A pessoa tem seu número de telefone celular e pode lhe telefonar.

Se você puder falar, atenderá imediatamente, caso contrário poderá retornar depois.

Na minha infância e adolescência essa era uma realidade que não existia. Sou do tempo do telefone convencional, do orelhão de ficha e depois de cartão.

Mas hoje, com as redes sociais e aplicativos nos smartphones, a comunicação tem se dado muito por mensagens instantâneas. Você pode receber mensagens de pessoas de sua convivência diária ou de seu passado, colegas do colégio, faculdade, e por aí vai. As pessoas conseguem lhe encontrar facilmente.

Agora imagine que além da comunicação direta e individual, há a possibilidade de se formarem grupos de conversas, com seus amigos, familiares e conhecidos. Há grupos da família, grupo do trabalho, da academia, o grupo do curso, do condomínio, o grupo das mães, dos pais.

E o mais interessante, ainda, é que esses grupos se subdividem. Só de grupo da família participo de 03. Com minha família “original”, com a família do meu marido, e um grupo unindo esses dois grupos de famílias.

Como fazer para acompanhar todas as conversas?

Não há dúvidas de que terei de organizar meu tempo se quiser acompanhar e participar de todos esses grupos. Talvez reservar um momento do dia ou da noite, para checar as conversas, e responder dentro do tempo destinado a tal. Será uma opção.

O que não posso deixar acontecer é me perder nas mensagens ao longo do dia, e ser interrompida em minhas atividades. Ser interrompida na minha concentração, ser interrompida na convivência real e direta com as outras pessoas de meu convívio diário.

O que não posso e não quero fazer é ver o meu tempo se escoar nesse dispositivo.

Pode parecer que não, mas essa tarefa exige tempo: tempo de parar, ler e responder, e o tempo para retornar o que se estava fazendo. Eu já me peguei me perdendo nisso e vejo pessoas todos os dias colocando seu tempo e sua energia em seus celulares.

Encontrar uma forma equilibrada de conexão é urgente para todos nós.